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Muito além do sorriso: odontologia hospitalar ajuda a prevenir complicações e cuidar de quem está internado

Quando pensamos em um dentista, é comum imaginar um consultório, uma cadeira odontológica e os cuidados com dentes e gengiva. Dentro de um hospital, porém, esse trabalho ganha uma dimensão ainda maior. Na Santa Casa de Votuporanga, a atuação da Odontologia Hospitalar contribui diretamente para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de alterações na boca que podem interferir na saúde e na recuperação dos pacientes. À frente desse trabalho está o dentista Artur Masson, que explica que a avaliação da saúde bucal precisa estar integrada à condição clínica de cada paciente. ““Sempre se considera a condição sistêmica, os medicamentos de uso, o risco de sangramento, o nível de consciência e a sensibilidade clínica. O atendimento é individualizado, respeitando as particularidades de cada paciente.”, destaca. A atuação acontece principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), mas também pode se estender às enfermarias, Pronto-Socorro, Centro Cirúrgico e setores que atendem pacientes com necessidades específicas, como Oncologia, Cardiologia, Nefrologia e Transplantes. O objetivo é identificar e controlar possíveis focos de infecção, alterações da mucosa, doenças periodontais, cáries, acúmulo de biofilme, lesões e outras condições que possam comprometer o tratamento ou o conforto do paciente. Na UTI, prevenção também passa pela boca Entre os principais focos do trabalho está a prevenção da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), uma das infecções relacionadas à assistência à saúde que pode acometer pacientes em ventilação mecânica. “A prevenção da PAV é muito importante dentro do âmbito hospitalar. A boca é um ambiente naturalmente muito contaminado e, por isso, precisamos evitar que as bactérias se proliferem ainda mais”, explica Artur. Para isso, a equipe realiza avaliações odontológicas e acompanha os pacientes durante a internação, enquanto a equipe de Enfermagem dá continuidade aos cuidados de higiene oral ao longo do dia. Na Santa Casa, os pacientes em ventilação mecânica recebem higiene oral com clorexidina 0,12% e escova de sucção, seguindo protocolos específicos de prevenção. O trabalho é contínuo e envolve profissionais de diferentes áreas. “Enquanto a Enfermagem atua na continuidade do cuidado com a higiene oral ao longo do dia, nós, como dentistas, realizamos a avaliação especializada para fins diagnósticos e os procedimentos odontológicos quando são necessários”, explica. Cada paciente, um cuidado A avaliação odontológica hospitalar começa com uma análise individual da cavidade oral. A partir dela, é definido um plano de cuidado de acordo com o quadro clínico e o nível de complexidade de cada paciente. Quando indicado, podem ser realizados procedimentos como tratamento de infecções, remoção de focos infecciosos, restaurações, raspagens periodontais e extrações. Mas a proposta não é realizar procedimentos por realizar: cada conduta considera o estado geral do paciente e sua relação com o tratamento médico. Essa integração é um dos grandes diferenciais da Odontologia Hospitalar. O dentista trabalha lado a lado com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e demais profissionais da equipe multiprofissional. “É 100% integrado. O dentista consegue contribuir com todas as especialidades médicas e da equipe multiprofissional. É como um coringa dentro do Hospital”, define Artur. Um cuidado que começa na prevenção Para o dentista, a essência da Odontologia Hospitalar está justamente em se antecipar e prevenir problemas antes que aconteçam. “O homem inteligente resolve um problema, mas o sábio os previne”, lembra Artur, citando uma frase que gosta de utilizar para traduzir a importância da prevenção. E, dentro de um hospital, essa prevenção ganha ainda mais significado. Cuidar da boca significa também olhar para o paciente como um todo, considerando que a saúde bucal pode estar relacionada ao conforto, à segurança e à evolução do tratamento. Na Santa Casa de Votuporanga, esse trabalho reforça um princípio essencial da assistência: nenhum cuidado acontece de forma isolada. Cada profissional contribui com seu conhecimento para que o paciente seja visto em sua integralidade — e, nesse cuidado, a saúde da boca também tem lugar.